LEIA A ENTREVISTA DO SENADOR REQUIÃO AO JORNAL BRASIL DE FATO

Plenário do Senado

Do portal BRASIL DE FATO

Requião diz que Ponte para o Futuro não é documento oficial do PMDB

 

O senador define o plano como “ideias caducas que nunca deram certo em nenhum lugar”

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que está no mesmo partido há três décadas, é um crítico do Ponte para o Futuro, conjunto de propostas elaborado pelo partido como resposta à crise brasileira. O argumento do parlamentar é que o documento ataca a trajetória histórica da legenda e não pode ser considerado a posição oficial do PMDB.

Leia a entrevista:

 

1 – Essa é delicada, talvez impossível de responder: o PMDB tem trabalhado em torno do(s) documento(s) Ponte Para o Futuro. O programa foi desenvolvido pela Fundação Ulysses Guimarães, mas tem grande afinidade com propostas que Armínio Fraga e outros tem poso no debate público. É possível determinar a origem intelectual destas ideias?
Requião: Primeiro ponto: o documento Uma ponte para o Futuro não foi aprovado pela Fundação Ulysses Guimarães. Ele foi apresentado, mas foi alvo de tanta polêmica que nem foi votado. Tem gente dizendo que seria um documento oficial do PMDB, mas não é verdade. O PMDB tem uma história a zelar. Ela é muito diferente dessa Ponte para o Futuro.

A origem das ideias contidas nesse documento é o neoliberalismo selvagem, o Consenso de Washington, Wall Street, a Febraban, a nova Fiesp do Skaf, e em especial todos os prósperos membros da velha equipe econômica de FHC.

São ideias caducas que nunca deram certo em nenhum lugar, mas que está sempre sendo propagandeadas pela grande mídia. Sempre houve economistas dispostos a servirem de pregadores fanáticos das ideias do liberalismo econômico, tão úteis ao grande capital financeiro internacional.

2 – Na opinião do senador, quais seriam os impactos sobre a economia nacional e sobre a vida da população caso esse conjunto de proposta seja implementado?
Requião: Isso seria o maior desastre social que já vivenciamos, desemprego, queda dos salários, queda dos benefícios sociais, desalento, fim dos direitos trabalhistas, privatização criminosa, entrega do Pré-Sal para o Cartel internacional do Petróleo, corrosão dos direitos sociais, restrições diversas à governabilidade do poder executivo com a transformação do modelo político em um semi-parlamentarismo na prática etc

3 – O nome do documento faz referência ao futuro, mas apresenta ideias que não são exatamente novas. A trajetória brasileira já não demonstrou a inviabilidade de tais propostas?
Requião: Essas propostas já se mostraram desastrosas no Brasil no governo FHC e também em todo mundo, como na Grécia, Espanha, Portugal, e em toda América Latina nos anos 90.
Mas os banqueiros e financistas que bancam essas ideias jamais vão desistir de tentar implementá-las e de convencer os desavisados a apoiarem.

4 -Pode-se chamar a Ponte para o Futuro de programa neoliberal? Há uma alternativa a ele nesse cenário de crise.
Requião: Claro, mas é ainda mais radical do que fez FHC em seus terríveis mandatos. Certamente que há alternativa. Eu mesmo propus um documento há pouco tempo sugerindo um novo Projeto Nacional e divulguei no meu site para consultar no detalhe:
http://www.robertorequiao.com.br/para-mudar-o-brasil-2/
Precisamos retomar uma política econômica desenvolvimentista, aumentar os investimentos públicos, especialmente em infra-estrutura de transporte, energia e comunicação, reestruturar a dívida pública, controlar o movimento de capitais, investir em desenvolvimento tecnológico nacional, reestruturar o sistema educacional, retomar o controle sobre os recursos petrolíferos, apoiar a reindustrialização, apoiar e democratizar os investimento em construção civil, fazer uma reforma urbana e uma reforma agrária e reestruturar a economia para uma nova forma de utilizar energia, a terra e os recursos naturais de forma mais responsável.